RECIBO DO FRACASSO
Maria Lucia Victor Barbosa
O Rio de Janeiro é o cartão postal do Brasil, sonho de turistas estrangeiros. E não faltam belezas naturais em todo Estado do Rio. No entanto, o que se vê nestes tristes dias é a explosão descomunal de um processo de violência vinculada ao narcotráfico, se bem que tiroteios, assaltos, assassinatos faz tempo atemorizam a população carioca.
Segundo consta, começou com Leonel Brizola o que hoje é o Estado paralelo do crime. Para se eleger, Brizola fez acordo com bicheiros e a polícia não podia subir os morros para não incomodá-los. Dos bicheiros aos narcotraficantes foi tramado o enredo tenebroso que se alastrou pelo tempo sustentado pela corrupção das autoridades, pela impunidade, pela indiferença social.
Se esse câncer social não é de agora, é preciso lembrar que Lula da Silva iniciou seu primeiro mandato prometendo que tudo iria mudar. Foram prometidos doze presídios de segurança máxima, mas só um foi construído em Cantanduvas – PR. Uma ideia megalomaníaca acenava com a regularização de todas as favelas do Brasil e, claro, nada foi feito nesse sentido. Alçado ao posto de redentor dos pobres, pela propaganda e pelo culto da personalidade, Lula da Silva vive se gabando que praticamente acabou com miséria no País. Mas, se o Brasil é um paraíso sem pobreza e desemprego, o que leva jovens favelados a se unirem aos narcotraficantes como única opção para uma breve e bestial vida?
Na verdade, a explosão do terrorismo nunca antes vista no Rio de Janeiro e nesse país é o recibo do fracasso dos governos Federal e Estadual na área da Segurança Pública. E quando os criminosos continuam a por fogo em ônibus e outros veículos, mesmo diante de todo aparato policial e do apoio das FFAA, o recado está dado para as autoridades: vocês não valem nada, somos nós que mandamos.
Dirá o governador Sérgio Cabral, eleito com espetacular votação, que as Unidades de Polícia Preventiva asseguraram a paz em algumas favelas cariocas e, que por isso, bandidos de lá fugiram para por fogo nas ruas. De fato, não deixa de ser interessante a presença da policia junto à população, mas as UPPs, que valeram votos para a candidata do presidente, não são suficientes. Há que ter no governo um sistema de inteligência capaz de rastrear com antecedência as manobras dos traficantes e das milícias, prisões sem trégua para retirar os marginais do meio social, juízes que não soltem os bandidos facilmente, ação constante de confisco de armas e drogas, uma polícia bem paga e bem armada que não dê trégua aos criminosos.
No tocante à remuneração dos policiais, o estabelecimento de um piso salarial nacional, projeto que tramita no Congresso, já foi detonado por Lula da Silva. Ele quer mesmo o trem-bala, desperdício não menos faraônico do que seria a construção de uma ONG em forma de pirâmide, que serviria unicamente para cultuar o presidente da República e facilitar seus negócios.
Sobre a ação da Polícia Militar e Civil, especialmente do Bope, é justo louvar a coragem e o heroísmo dos policiais que arriscam suas vidas numa guerra sem fim. E se a magnitude da violência ultrapassou a violência cotidiana e demandou o apoio das FFAA, esse apoio devia ser habitual para que não se chegasse ao que se presencia agora. Portanto, apesar dos discursos e poses de autoridades federais e estaduais para TVs é lógico afirmar que governos fracassaram redondamente quanto à Segurança da população. Relembre-se que, se o problema é mais acentuado no Rio, existe em todo país.
Não basta, então, dizer que os acontecimentos derivam da fuga de bandidos das favelas por causa das UPPs. O problema é muito mais profundo e estrutural. Seria também necessário maior controle das fronteiras por onde entram drogas e armas, especialmente na Tríplice Fronteira e nas fronteiras com a Colômbia e a Bolívia.
No tocante às sanguinárias Farc, é conhecido seu intercâmbio com traficantes brasileiros, mas, lamentavelmente, o presidente Lula da Silva recusou o pedido do então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, para classificar as Farc como terroristas. Além disso, existe liderança das Farc morando no Brasil com o privilégio de ter sua mulher nomeada para cargo governamental. Sem falar que altas autoridades do governo Lula, que continuarão no governo Rousseff, frequentam o Foro de São Paulo onde se reúnem as esquerdas latino-americanas, incluindo, as Farc, das quais são muito amigas.
Resumindo, o espetáculo da guerra do tráfico no Rio de Janeiro é o retrato do final de oito anos do governo Lula que passa recibo do fracasso na Segurança Pública. É também um dos aspectos da herança maldita que Dilma Rousseff vai receber. Outras maldições continuarão na Saúde, na Educação, na infraestrutura, na gastança, na dívida pública, no descontrole da inflação que o reconduzido ministro Mantega quer camuflar. O povo quis. O povo terá.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com
sábado, 27 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
TERCEIRO MANDATO?
Maria Lucia Victor Barbosa
10/11/2010
Algumas pessoas me perguntaram se estava satisfeita pelo fato de uma mulher ter chegado à Presidência da República. Respondi que isso me era indiferente. Primeiro, porque seja homem ou mulher num cargo político o que interessa é se essa pessoa é competente, ética e tenha visão de bem comum. Segundo, em postos elevados mulheres não são automaticamente modelos de perfeição e lisura. Só para citar exemplo mais recente relembro a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, que juntamente com a família se locupletou no cargo tendo saído ilesa por ser amiga da rainha. Terceiro, quem ganhou de fato foi um homem, o presidente que age como se projetasse seu terceiro mandato, pois escolhe ministros e já tem diretrizes de governo para 2011.
A mulher, retocada fisicamente, fabricada em termos de imagem política, treinada pela propaganda teria qualidades que se imaginam intrinsecamente femininas. Entre outras, amor maternal, desvelo familiar, doçura, capacidade de perdão. Qualidades é claro, que nem todas as mulheres possuem, muito menos a candidata escolhida pelo homem. Por ela ele foi cabo-eleitoral e animador de comícios de retórica violenta e rancorosa, boquirroto que debochava da lei eleitoral, autoritário que vociferava contra a imprensa e pregava o extermínio de partidos, Antecipando a campanha em mais de um ano Lula da Silva colocou à disposição de Dilma Rousseff a máquina estatal e as polpudas contribuições das “zelites”. Não apareceu oposição para condenar tais abusos.
Venceu, na verdade o poderoso “coronel” Lula. Conquistou um pouco mais da metade dos votos dos pobres agradecidos pelas bolsas-esmolas, dos ricos satisfeitos com os lucros, da classe média emergente inebriada com as alegrias de consumidores capazes de comprar a felicidade em suaves prestações a serem pagas no além.
Entretanto, o final de mandato do popular Lula da Silva parece conturbado. É emblemática mais uma trapalhada do Enem, cuja responsabilidade em última instância é do ministro da Educação. Num país civilizado este pediria demissão ou seria demitido pelo presidente da República, mas, ambos, de modo arrogante insistem em não reconhecer o erro. Um péssimo exemplo para os jovens estudantes.
Na política externa, que acumulou perdas em todos os cargos pleiteados pelo Brasil, em repetidos fiascos, em apoios a governantes que afrontam os direitos humanos, o último golpe deve ter deixado estonteados o presidente da República, seu chanceler de direito, Celso Amorim, seu chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia. Isso porque, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu seu apoio expresso à inclusão da Índia como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, cargo perseguido de forma obsessiva pelo Itamaraty durante os dois mandatos de Lula da Silva. Também pudera, “o cara” em sua linguagem antiamericana fez coro com as afrontas de Hugo Chávez aos norte-americanos. Além disso, o governo Rousseff pode significar a chegada do PT ao poder, como determinou José Dirceu. Considere-se ainda o fato da Índia ser estrategicamente bem mais interessante para os Estados Unidos do que o Brasil.
Para piorar, Lula da Silva quer de volta a famigerada CPMF e vai tentar desarmar no Congresso a bomba fiscal de R$ 30 bi. Se conseguir a façanha no mês que lhe resta vai bater de frente com policiais civis, militares e bombeiros que perderão um piso salarial a ser criado por emenda constitucional. Afrontará governadores que reivindicam R$ 19,5 bilhões, a título de repasse, referentes a perdas que tiveram com a Lei Kandir. Desgostará parlamentares que querem elevar a cota reservada a cada um deles para fazer emendas no Orçamento. Sobrará para Rousseff a espinhosa questão do salário mínimo, que no Orçamento é contemplado com um piso de R$ 538,14, sendo que as centrais sindicais que ajudaram elegê-la reivindicam R$ 589,00.
Outro fator polêmico é a obsessiva ideia do ministro Franklin Martins de “monitorar” ou exercer “controle social sobre a mídia”, o que traduzido significa cercear a liberdade de pensamento. Ele usa arabescos de linguagem para o que é simplesmente censura, aliás, prevista, entre outras coisas, no Plano de governo Rousseff sob o título PNDH3.
Enquanto tudo isso acontece, onde anda o PSDB? Afinal, sem oposição não existe democracia. Ao PSDB falta militância, união, mística, coragem para vocalizar a parcela da sociedade que se sentir prejudicada pelos desmandos da situação. Sobra aos tucanos fascinação por Lula da Silva e vergonha de sua trajetória. É necessário, então, que o PSDB deixe a torre de marfim e venha às ruas contra a CPMF, contra a censura, contra a inflação que Fernando Henrique derrubou, contra o ardiloso terceiro mandato de Lula da Silva. Se fizer isso será seguido. Caso contrário, morrerá de inanição política.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
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Maria Lucia Victor Barbosa
10/11/2010
Algumas pessoas me perguntaram se estava satisfeita pelo fato de uma mulher ter chegado à Presidência da República. Respondi que isso me era indiferente. Primeiro, porque seja homem ou mulher num cargo político o que interessa é se essa pessoa é competente, ética e tenha visão de bem comum. Segundo, em postos elevados mulheres não são automaticamente modelos de perfeição e lisura. Só para citar exemplo mais recente relembro a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, que juntamente com a família se locupletou no cargo tendo saído ilesa por ser amiga da rainha. Terceiro, quem ganhou de fato foi um homem, o presidente que age como se projetasse seu terceiro mandato, pois escolhe ministros e já tem diretrizes de governo para 2011.
A mulher, retocada fisicamente, fabricada em termos de imagem política, treinada pela propaganda teria qualidades que se imaginam intrinsecamente femininas. Entre outras, amor maternal, desvelo familiar, doçura, capacidade de perdão. Qualidades é claro, que nem todas as mulheres possuem, muito menos a candidata escolhida pelo homem. Por ela ele foi cabo-eleitoral e animador de comícios de retórica violenta e rancorosa, boquirroto que debochava da lei eleitoral, autoritário que vociferava contra a imprensa e pregava o extermínio de partidos, Antecipando a campanha em mais de um ano Lula da Silva colocou à disposição de Dilma Rousseff a máquina estatal e as polpudas contribuições das “zelites”. Não apareceu oposição para condenar tais abusos.
Venceu, na verdade o poderoso “coronel” Lula. Conquistou um pouco mais da metade dos votos dos pobres agradecidos pelas bolsas-esmolas, dos ricos satisfeitos com os lucros, da classe média emergente inebriada com as alegrias de consumidores capazes de comprar a felicidade em suaves prestações a serem pagas no além.
Entretanto, o final de mandato do popular Lula da Silva parece conturbado. É emblemática mais uma trapalhada do Enem, cuja responsabilidade em última instância é do ministro da Educação. Num país civilizado este pediria demissão ou seria demitido pelo presidente da República, mas, ambos, de modo arrogante insistem em não reconhecer o erro. Um péssimo exemplo para os jovens estudantes.
Na política externa, que acumulou perdas em todos os cargos pleiteados pelo Brasil, em repetidos fiascos, em apoios a governantes que afrontam os direitos humanos, o último golpe deve ter deixado estonteados o presidente da República, seu chanceler de direito, Celso Amorim, seu chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia. Isso porque, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu seu apoio expresso à inclusão da Índia como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, cargo perseguido de forma obsessiva pelo Itamaraty durante os dois mandatos de Lula da Silva. Também pudera, “o cara” em sua linguagem antiamericana fez coro com as afrontas de Hugo Chávez aos norte-americanos. Além disso, o governo Rousseff pode significar a chegada do PT ao poder, como determinou José Dirceu. Considere-se ainda o fato da Índia ser estrategicamente bem mais interessante para os Estados Unidos do que o Brasil.
Para piorar, Lula da Silva quer de volta a famigerada CPMF e vai tentar desarmar no Congresso a bomba fiscal de R$ 30 bi. Se conseguir a façanha no mês que lhe resta vai bater de frente com policiais civis, militares e bombeiros que perderão um piso salarial a ser criado por emenda constitucional. Afrontará governadores que reivindicam R$ 19,5 bilhões, a título de repasse, referentes a perdas que tiveram com a Lei Kandir. Desgostará parlamentares que querem elevar a cota reservada a cada um deles para fazer emendas no Orçamento. Sobrará para Rousseff a espinhosa questão do salário mínimo, que no Orçamento é contemplado com um piso de R$ 538,14, sendo que as centrais sindicais que ajudaram elegê-la reivindicam R$ 589,00.
Outro fator polêmico é a obsessiva ideia do ministro Franklin Martins de “monitorar” ou exercer “controle social sobre a mídia”, o que traduzido significa cercear a liberdade de pensamento. Ele usa arabescos de linguagem para o que é simplesmente censura, aliás, prevista, entre outras coisas, no Plano de governo Rousseff sob o título PNDH3.
Enquanto tudo isso acontece, onde anda o PSDB? Afinal, sem oposição não existe democracia. Ao PSDB falta militância, união, mística, coragem para vocalizar a parcela da sociedade que se sentir prejudicada pelos desmandos da situação. Sobra aos tucanos fascinação por Lula da Silva e vergonha de sua trajetória. É necessário, então, que o PSDB deixe a torre de marfim e venha às ruas contra a CPMF, contra a censura, contra a inflação que Fernando Henrique derrubou, contra o ardiloso terceiro mandato de Lula da Silva. Se fizer isso será seguido. Caso contrário, morrerá de inanição política.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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