sexta-feira, 1 de junho de 2012


LULA E O CAPITÃO SIMONE SIMONINI


Maria Lucia Victor Barbosa

01/06/2012



É sabido que a arte imita a vida e muitas vezes uma obra literária revela mais do que um tratado. Assim, quem ler O Cemitério de Praga, livro mais recente do notável escritor e pensador, Umberto Eco, sem dúvida fará um paralelo com o que se passa na política brasileira em termos de essência, é claro, e não de cenário histórico com costumes e personagens próprios de uma época.

Nesta obra Umberto Eco conduz o leitor a uma vertiginosa aventura entre intrigas, calúnias, crimes, traições, conspirações. Destaca-se a sordidez própria das tramas presentes nos jogos do poder, sendo que o personagem principal, capitão Simone Simonini que conduz o enredo é o velhaco por excelência, o ardiloso falsificador, o traidor que oscila entre facções, o cínico que justifica todos seus atos, o frio calculista, o impiedoso carrasco dos adversários. Enfim, Simonini, que tem personalidade dupla é um tremendo mau-caráter, um inescrupuloso, um corrupto que se vende e serve a quem lhe pagar mais.

Estas características não parecem familiares aos que me leem? Não vem à mente determinados tipos que transitam com desenvoltura por nossa ribalta política? É a selva humana em ação onde prevalece como mostrou Maquiavel, “a força do leão ou a astúcia da raposa”.

Feitas essas observações lancemos um olhar sobre o encontro de Lula e o ministro, Gilmar Mendes, do STF, promovido por Nelson Jobim. No episódio, apesar dos muitos desmentidos e versões, um todo-poderoso Lula chantageia e lança seu veneno sobre o ministro oferecendo proteção de capo para não envolvê-lo na CPI do Cachoeira, desde que ajude a protelar o temido julgamento do “mensalão”, crime cometido durante seu governo por companheiros, entre eles, José Dirceu.

Nesse caso, o ex-presidente assume sua porção de um fabuloso Simonini. Ele faz questão de demonstrar que não só dirige a CPI como manipula o STF, pois afirma já ter conversado com outros ministros ou ter meios para convencê-los do que deseja, como seria o caso da ministra Carmem Lúcia a ser influenciada pelo o ex-ministro Sepúlveda Pertence.

Lula é o caso típico de alguém que tendo tido origem humilde tornou-se dono de um imenso poder do qual abusa, que lhe propicia as delícias da burguesia que antes criticava e no qual se agarra com unhas e dentes.

Naturalmente, nem todos que foram pobres e que tiveram o mérito de ascender na escala social agem desse modo. Exemplo disso, o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Lula, contudo, não subiu por mérito e sim por sorte, sendo sua escola a sindical onde aprendeu tretas e mutretas dignas do capitão da ficção de Umberto Eco.

Matreiro, Lula é confundido com gênio da política e sua verborragia cheia de impropriedades linguísticas, gafes, palavrões, piadas de mau gosto é saudada como identificação perfeita com o povo. Ele se move pela lei da desforra do que foi e apesar da arrogância, da fanfarrice, da vaidade desmesurada, no fundo é um recalcado com complexo de inferioridade que precisa constantemente de holofotes, aplausos, premiações, títulos, para se sentir bem. Compara-se a Jesus Cristo, Tiradentes, Jk e se gaba de ser o melhor presidente que o mundo conheceu, o descobridor  do Brasil que antes dele não existia, o salvador dos pobres e oprimidos.

Uma competente propaganda e a tendência humana para acreditar na mentira compõem o mito e o PT faz de sua criação o ser inimputável, intocável, onipotente, onisciente, o pequeno deus que no fundo sabe que tem pés de barro.

No caso do encontro com o ministro, Lula/Simonini, como é de seu feitio negará o que disse, não sabe de nada, não viu nada, nenhuma afronta ao STF foi feita, no que foi secundado pelo anfitrião, Nelson Jobim. Ao mesmo tempo, a rede de intrigas e versões entrou em ação e nisto pelo menos nisso o PT é competente. O errado é o ministro que ao se defender ficou mal visto. Pior, ficou sozinho.

 Enquanto Lula foi homenageado pela presidente Rousseff, o presidente do STF, Carlos Ayres Britto junto com seus pares declarou que o problema de Gilmar Mendes é pessoal. O ministro Marco Aurélio Mello declarou que é legitimo Lula opinar sobre o julgamento do mensalão, do qual, aliás, o ex-presidente foi avisado em 2005 por Marcondes Perillo, hoje na fogueira da CPI. E o próprio José Dirceu andou dizendo que não fazia nada sem que Lula soubesse.

Em todo caso, as coisas vão bem para Lula, “mensaleiros” e companheiros da cúpula petista. A tal CPI para tirar o foco do julgamento do “mensalão” é uma farsa que desmoraliza ainda mais o Legislativo. O Judiciário foi conspurcado em sua mais alta corte sem ninguém reclamar. Sobra a hipertrofia do Executivo que se prepara para a volta, em 2014, do capitão Simonini, quer dizer, de Lula e de seus companheiros. E ainda se acredita que vivemos em plena democracia.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.


sexta-feira, 25 de maio de 2012


QUEM GOVERNA?


Maria Lucia Victor Barbosa



Quem governa? Aqueles em que votamos? Que elegemos para dirigir os destinos do País e, portanto, o nosso? Parece que não é tão simples assim.

Dilma Rousseff ganhou a eleição presidencial, contudo, é o ex-presidente Lula da Silva que em larga medida ainda governa. Mesmo porque, volta e meia ele se reúne com sua afilhada para orientá-la e teve o cuidado de indicar a maioria dos ministros que compuseram o ministério de Rousseff. Não deu certo porque muitos ministros caíram, não porque foram faxinados pela presidente, mas porque se tornou inviável mantê-los depois da enxurrada de provas de corrupção que circularam pela imprensa. Não é à-toa que Lula sempre atacou a mídia e o PT sonha há tempos em acabar com a liberdade de expressão, algo recentemente ostentado claramente pelo presidente do partido, Rui Falcão.

Lula da Silva manda tanto que tem maquinado acertos eleitorais e, contrariando a presidente Rousseff que deve ter lá seus motivos para não ter querido a CPI do Cachoeira, ordenou que a Comissão fosse criada. Seu intuito segundo jornais e revistas seria o de salvar companheiros envolvidos no escândalo do “mensalão”, especialmente o chamado chefe da quadrilha, José Dirceu, desmoralizar o PSDB por conta do suposto envolvimento do governador Marconi Perillo, de Goiás, com o bicheiro, desmerecer o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que denunciou os quadrilheiros do esquema e, de quebra, conseguir ganhar em São Paulo elegendo o desastrado ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.

Entretanto, se Lula é tido como um gênio da política a jogada da CPI do Cachoeira não está dando certo. A ida de Carlos Augusto de Almeida Ramos ao Congresso foi desmoralizante. Afinal, os parlamentares sabiam de antemão que Cachoeira ficaria em silêncio por direito constitucional e por orientação de seu advogado, Márcio Thomaz Bastos que, curiosamente, foi ministro da Justiça de Lula da Silva. Contudo, senadores e deputados aproveitaram a oportunidade para fazer da pantomima seu palanque com performances de indignação que não existiram, por exemplo, diante do silêncio de Delúbio Soares e Silvinho Land Rover em outra CPI que, como as demais, resultou em nada.

A senadora Kátia Abreu, outrora DEM agora do Partido do Kassab, portanto, da base aliada do governo, foi cortante: “Isso é ridículo. Estamos aqui perguntando para uma múmia. Não vou ficar aqui dando ouro para um bandido. Não vamos fazer papel de bobo para um chefe de quadrilha com cara de cínico”.

O deputado do PR-DF, Ronaldo da Fonseca, saiu-se com essa: “O senhor está com vontade de responder, seu Cachoeira, mas não responda agora não”.

A senadora bem que poderia ter pedido o encerramento não apenas da sessão, mas da grotesca CPI. Afinal, se continuarem blindando a empreiteira Delta e seu dono Fernando Cavendish, além de governadores e demais políticos envolvidos, a CPI não terá a menor serventia. Culpem, então, a senhora que serve cafezinho na Delta, o office-boy da Veja e apressem o que já se sabe irá acontecer: o impeachment do senador Demóstenes. Feito isso, desmontem o picadeiro.

Quanto ao deputado Ronaldo, foi impróprio para maiorais. Imagine-se se Cachoeira resolvesse falar. Não ia sobrar muito gente.

Na verdade, a CPI ficou desmoralizada quando o deputado petista, Cândido Vaccarezza, enviou um SMS para o governador peemedebista do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, grande amigo de Lula da Silva e de Fernando Cavendish, com os seguintes dizeres na mais pura versão da “Flor do Lácio”: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu”.

Aqui se volta à pergunta inicial: Quem governa? Além daqueles que elegemos para cargos do Executivo e do Legislativo, tudo indica que fomos ou somos governados também por Carlinhos Cachoeira tal seu poder de influência. Ele possuía ou possui uma impressionante rede de relações no Judiciário, na Polícia, no Ministério Público, no Executivo, no Legislativo, no mundo dos negócios. Cavendish, dono da empreiteira mais agraciada com obras pelo governo federal, pelo governo do Rio de Janeiro e de outros Estados, foi chamado de “sócio oculto” do contraventor. Além disso, Cachoeira nomeava gente, influía nas emendas ao Orçamento da União. Se isso não é governar não sei mais o que é.

Esse imenso poder paralelo não impede o imperial mando de Lula da Silva. O processo do “mensalão” que se arrasta há quase sete anos corre o risco de não dar em nada se Lula insistir na tese de que o “mensalão” não existe. Se isso acontecer será a pá de cal no Estado Democrático de Direito e o PT continuará a reinar junto com os que também mandam no País: os Cachoeiras e o poder paralelo dos traficantes e de outros tipos de bandidos que afrontam impunemente a população. Afinal, sem o cumprimento das leis um país não é civilizado. Prevalece o “estado de natureza” de que falou Hobbes, “onde não há teu nem meu, mas o que eu puder tomar, pelo tempo que puder conservar”.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga
mlucia@sercomtel.com.br

sábado, 12 de maio de 2012

VIEJOS TIEMPOS
Maria Lucia Victor Barbosa
22/04/2012

Em que pese os sinais de modernização havidos em alguns países da América Latina, especialmente a partir dos anos 90, as marcas da colonização que plasmaram a mentalidade dos seus povos nunca deixaram de existir. São mantidos ou emergem como nos viejos tiempos: instabilidade política, crises econômicas, incompetência governamental, corrupção, populismo, nepotismo, patrimonialismo, autoritarismo, impunidade, hipertrofia do Poder Executivo, ausência de cultura cívica.
Além disto, como afirmei em um dos meus livros, América Latina, em busca do paraíso perdido, latino-americanos possuem uma estranha mescla de altivez e sentimento de inferioridade. Para se livrarem da síndrome do fracasso, das mazelas, das fraquezas, cujas raízes se prendem ao passado colonial, descarregam sua frustração em possíveis culpados, especialmente, nos Estados Unidos por conta do insuportável progresso daquele país. Latino-americanos só se esquecem de perguntar o que fizeram a si mesmos.
O recente ato de populismo desvairado e nacionalismo irracional da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao expropriar a YPF, maior empresa petrolífera do país adquirida pela Repsol espanhola em 1999, relembra viejos tiempos da era Perón.
Adorado até hoje por muitos argentinos, cultuado como uma espécie de deus, admirado como herói, Juan Domingo Perón tem também os que o relembram como déspota odiado, causa de todos os males da Argentina. De todo modo, cabe acentuar alguns elementos marcantes do governo peronista, os quais contribuíram de forma decisiva para o declínio do país que chegou a ser chamado de “Colosso do Sul”. Derivados de toda uma evolução histórica, social e politica esses elementos encontraram em Perón as condições ideais de expansão e foram justamente eles que Cristina Kirchner ressuscitou: a falsa democracia, o nacionalismo xenófobo, a demagogia exacerbada. Um filme que a Argentina já viu várias vezes e que nunca teve um final feliz.
Recentemente, com o mesmo intuito de desviar as atenções dos argentinos da situação econômica, na qual avulta uma inflação da ordem de 25% e a fuga de bilhões, sendo que neste ano já deixaram o país US$ 22,5 bilhões, a presidente Kirchner voltou aos viejos tiempos do General Leopoldo Galtieri e simulou desencadear outra guerra das Malvinas.
Naquela aventura ao mesmo tempo grotesca e trágica, o General Galtieri chegou a afirmar: “Não cremos que a Grã-Bretanha se mobilize pelas Malvinas”. Ao contrário, na Inglaterra houve imediato sentimento de defesa dos kelpers que, segundo os britânicos tinham o direito de decidir seu futuro e se livrar de um despotismo estrangeiro arbitrário e brutal.
Na guerra que durou setenta e dois dias, levaram a pior os mal preparados recrutas argentinos diante de um pequeno grupo de tropas de elite enviado pelos britânicos às ilhas Falklands que incluía marines, paraquedistas e mercenários ghurkas. O fracasso fez a frustração popular se voltar contra o governo Galtieri e, ao contrário, deu ao governo de Margaret Thatcher estrondosa vitória eleitoral. Possivelmente essas recordações fizeram Kirchner desistir da estapafúrdia ideia de invadir as Falklands passando, então, a fabricar algo que contivesse também forte apelo nacionalista: a expropriação que só faltou ter o mote: “o petróleo é nosso”.
Enquanto nos Estados Unidos e na Europa, a expropriação da YPF foi duramente criticada, a presidente Dilma e o ministro de Minas e Energia Edison Lobão, seguindo a arenga do ex-presidente Lula da Silva, correram para acudir o governo argentino dizendo que o ato do país vizinho é uma questão de soberania. Esqueceram que romper tratados não é próprio da soberania, mas da selvageria, pois não é civilizado romper acordos internacionais.
O ministro Lobão, disse crer que a Petrobrás não será expropriada na Argentina. Já o foi, na província de Neuquén, em princípio de abril. Também esqueceu ou ignora que a presidente Kirchner tem mantidos congelados os preços dos combustíveis nos postos da Petrobrás, apesar da inflação, talvez, um detalhe menor porque o Brasil está fazendo o mesmo.
Como era de se esperar, na medida em que o governo argentino não tem condição de bancar os investimentos que a Repsol fazia, a presidente Kirchner enviou o ministro de Planejamento da Argentina, Julio de Vido, para conversar com nosso ministro de Minas e Energia. O primeiro propôs o aumento da participação da Petrobrás de 8% para 15% do mercado de produção, processamento de petróleo e distribuição. Lobão respondeu que fará de tudo para ajudar o país vizinho. Já vimos um filme parecido na Bolívia. São viejos tiempos que sempre voltam, aqui e em toda América Latina.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
“CACIQUE” LULA E SEU COMUNISTA
Maria Lucia Victor Barbosa
28/10/2011

Na emblemática foto publicada pelo O Estado de S. Paulo (25/10/2011), um Lula eufórico, de cocar azul, se dirige à presidente- figurante, também de cocar, que ri com expressão de indizível felicidade diante do “cacique”. Afinal, Lula é superstar, sua política é a egopolítica e o resto é coadjuvante no espetáculo do poder.
Em pleno terceiro mandato e em campanha desenfreada para voltar em 2014, Lula foi inaugurar uma ponte sobre o Rio Negro e na viagem até Manaus, onde a foto foi tirada, decretou o bota-fora de Orlando Silva do PCdoB, então, ministro do Esporte, a quem chamava de “meu comunista”.
Admirador dos piores déspotas mundiais Lula chegou a defender a permanência do ministro. Prontamente, Rousseff chamou o comunista crivado de denúncias de corrupção ao Palácio fazendo conhecer através da imprensa sua confiança no mesmo.
Semelhante comportamento foi dado aos cinco ministros que caíram, quatro por graves indícios de corrupção. Portanto, que se cuidem os ministros que continuam quando a presidente-figurante lhes hipotecar solidariedade.
Ressalve-se que apenas o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, foi defenestrado por Rousseff, o que lhe valeu a admiração popular e a alcunha de faxineira. Os demais, com exceção do ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, foram demitidos por pressão da imprensa que apresentou documentação, declarações entrevistas indicando corrupção e outros crimes cometidos nos ministérios da Casa Civil, Agricultura, Turismo, então chefiados respectivamente por Antonio Palocci, Wagner Rossi e Pedro Novais.
Em países civilizados a queda de tantos ministros por motivos nada edificantes no mínimo causaria perplexidade ou desconfiança da população com relação ao governo. No Brasil, quando o sexto ministro segue para o olho da rua a presidente-figurante provavelmente será louvada por sua postura ética com ajuda, é claro, do marketing e da predisposição das pessoas para serem enganadas.
O mais estranho nessa queda constante de ministros é que todos estiveram nas gestões de Lula e por ordem dele continuaram no governo da sucessora. Não é possível, portanto, que depois de tanto tempo Lula não soubesse das falcatruas dos companheiros. Seria ele omisso, negligente moralmente ou sócio de seus principais auxiliares?
Quanto a presidente Rousseff, cujo trabalho anterior na Casa Civil era o de coordenar o trabalho dos demais ministérios, como Lula devia estar ciente do que se passava. Desse modo, se aceitou continuar com tais ministros foi também omissa, conivente ou completamente submissa ao “cacique”. Compete, então, aos brasileiros perguntar: Quem governa o país? Estamos sendo submetidos a uma farsa eleitoral?
Nas gestões de Lula ministros que tiveram de abandonar poder e privilégios não o fizeram porque o país é sério, mas para que seus malfeitos não respingassem no presidente superstar. Isso parece continuar. Com a diferença de que agora se preserva não um presidente, mas, dois: Lula e Rousseff.
E se não fosse a imprensa, que os petistas sempre quiseram censurar e que dá azia em Lula, a poderosa esquerda, que veio com a pretensão de não mais sair, continuaria a gozar as delícias da burguesia e se locupletar cada vez mais através de práticas que fariam corar os mais selvagens capitalistas.
Orlando Silva, enredado no cipoal de corrupção das ONGs ligadas a seu partido, parentes e agregados, não tem do que se queixar ou lamuriar. Todos os ministros e demais autoridades que perderam os cargos logo encontraram outros, sem o glamour da política, mas muitíssimos bem remunerados. E nenhuma investigação contra eles prosperou, pois todas foram arquivadas no país da impunidade.
De todo modo, mais esse episódio degradante do governo petista e dos seus seguidores mostrou que o PCdoB, que mantém o feudo do esporte com Aldo Rebelo, hoje se destaca por uma avassaladora sede de enriquecimento pessoal custe o que custar, um fazer politiqueiro que percorre de alto a baixo o partido que se dizia ideológico. Ideologia que cultuada pela esquerda brasileira imprimiu o terror, a opressão, o atraso, o crime aonde foi implantada.
Degradam-se, assim, os partidos políticos, as instituições, a economia, a vida nacional. Indiferente o povo aplaude os governantes corruptos que lhe surrupiam bilhões, os impostos escorchantes, os demagogos e seus discursos enganosos.
Com cocares azuis o “cacique” Lula e sua obediente presidente morrem de rir. Será que continuarão rindo quando os benefícios trazidos pelo Plano Real, que acabou com a inflação, começarem a se esvair? O dragão da inflação está de volta e na medida em que o povo se der conta de que acabou o crédito fácil, o acesso desenfreado ao consumo, perceber que o salário não chega ao fim do mês e que nossas indústrias estão se deslocando para outros países levando daqui os empregos, não serão heroicos mil, dez mil, vinte cinco mil que sairão às ruas em passeata para protestar. Chegará a hora que mais gente irá gritar: “fora corruptos”.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

DE BESTIALIZADOS A CIDADÃOS
Maria Lucia Victor Barbosa
O chamamento pela Internet que culminou no movimento popular do sete de setembro, especialmente em Brasília, levou milhares de pessoas a protestar durante o desfile oficial. Foi um evento que não pode ser analisado superficialmente, mesmo porque, para entender o presente é preciso recuar até ao passado. Num pequeno artigo seria impossível historiar o que se passou no Brasil desde sua descoberta, como fiz em um dos meus livros, “América Latina – em busca do paraíso perdido”, mas, pelo menos, podemos recortar no tempo alguns acontecimentos históricos e políticos importantes:
A vinda da corte portuguesa, em 1808, e o modo como se realizou a independência em sete de setembro de 1822, trouxeram várias consequências. Em primeiro lugar a presença da família real fortaleceu a unidade política do colosso territorial, ao contrário do Império Espanhol que se fragmentou em várias nações entre 1810 e 1838. Segundo, apesar de alguns movimentos importantes, mas isolados, a independência foi obra do príncipe regente e de minorias políticas enquistadas nos bastidores do poder. Não houve, pois, o sentimento nacionalista que marcou os episódios libertadores das colônias espanholas, sentimento que no nosso caso foi substituído por meros interesses individualistas que nada tinham a ver com percepção de pátria ou ideal de bem comum.
Foram também a partir de 1808, que se instalaram no Brasil de uma vez por todas as características do velho Estado português, que em terra nova não perderia sua essência patrimonialista magistralmente explicada por Raymundo Faoro em sua obra, “Os donos do poder”: “Os reis portugueses governaram o reino como a própria casa, não distinguindo o tesouro pessoal do patrimônio público”.
Era um Estado também corrupto na medida em que para tudo se dependia dele, do seu excessivo quadro de funcionários, da morosidade típica da burocracia, correndo soltas as propinas para aligeirar licenças, fornecimentos, processos, despachos, etc. Nas entranhas do desajeitado e ineficiente Leviatã conduzido por D. João VI traficavam-se influências, negociava-se a coisa pública em proveito próprio. Imagino que os leitores devem estar notando que a realidade de hoje não difere muito do nosso já distante passado.
Acrescente-se que os fatos mais marcantes da nossa história não contaram com a participação popular. Por isso, a proclamação da Republica não sensibilizou a massa, nem sequer no Rio de Janeiro, quanto mais nas vastidões afora do país. José Murilo de Carvalho cita em seu livro, “Os bestializados”, Aristides Lobo, adepto incondicional da nova forma de governo e um dos mais desapontados. Segundo este, “o povo, que pelo ideário republicano deveria ter sido o protagonista dos acontecimentos, assistiu a tudo bestializado, sem compreender o que se passava, julgando ver talvez uma parada militar”.
Muita coisa foi mudando como não poderia deixar de ser. Vários movimentos aconteceram. Alguns, como as diretas já e o impeachment do ex-presidente Fernando Collor levaram o povo às ruas. Mas sempre houve lideranças partidárias, sindicais, apoios da Igreja e de estudantes que conduziram multidões. Em showmícios a massa aplaudia entusiasticamente tanto oradores políticos quanto artistas preferidos do grande público.
Na era Lula/PT em que a decadência partidária avança, os valores se extinguem, a corrupção sempre havida é exacerbada de modo impressionante juntamente com a impunidade dos “colarinhos brancos” e a propaganda transforma cidadãos em bestializados, aconteceram fatos que o domínio petista não deve ter digerido bem.
Um deles foi o sonoro não ao desarmamento da população, em plebiscito levado a cabo por ordem de Lula da Silva. Posteriormente, um movimento via internet ajudou a pressionar parlamentares para que a famigerada CPMF, que está prestes a ser ressuscitada pela presidente Rousseff, fosse extinta. Outros abaixo assinados como aquele a favor da “ficha limpa” ou centenas de artigos e de opiniões críticas ao governo que se entrecruzam em e-mails mostram que, ao contrário dos muitos satisfeitos, por enquanto, com sua situação financeira, uma minoria consciente das classes médias que lê jornais e revistas começa a perceber que a avassaladora corrupção que se espraia por todos os cantos do poder é danosa aos interesses da nação.
Surgiram, porém, criticas entre os próprios internautas. Muitos dizem que não basta escrever, seria preciso agir, ganhar as ruas, expressar publicamente a indignação.
A Internet ficou pulsando até aglutinar um movimento espontâneo que fez do virtual o real, materializando no sete de setembro em vários Estados e, principalmente, em Brasília, milhares de pessoas, sobretudo, jovens, que tiveram como foco o combate à corrupção. Pela primeira vez um movimento não teve líderes, foi consciente, apartidário, não expressava ideologia tanto de esquerda quanto de direita, não era individualizado, mas em defesa de um objetivo comum.
Digam os críticos desse inédito acontecimento que ele é efêmero e difuso, queiram alguns espertamente se apropriar dele, mas o fato é que brasileiros foram ao desfile de sete de setembro e assistiram a parada militar não como bestializados, mas como cidadãos. Tomara que esses compatriotas sejam o fermento de uma progressiva transformação rumo à consciência cívica que tanto nos falta.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.com.br

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O SUBMUNDO DO GOVERNO
Maria Lucia Victor Barbosa
01/09/2011

Em 1914, Robert de Jouvenel dá o título de “O quarto poder” a uma das partes de sua obra, La République des camarades. Ali ele registrou:
“Quando um parlamentar conhecido se abstém durante muito tempo de frequentar essa bolsa de confidências e difamações, sua pessoa poderá ser vista a perambular tristemente de grupo em grupo, à cata do jornalista que se disponha finalmente a vir solicitar confidências destinadas ao grande público”.
Jouvenel mostrou, assim, a força do “quarto poder”, ou seja, dos jornais do seu tempo. Ele não podia imaginar a influência que teriam mais tarde o rádio e a televisão sobre a massa.
O quarto poder continua a movimentar opiniões, mas, no momento, em nosso país, é de se duvidar que algum político busque jornalistas de certos veículos da grande imprensa, os raros que possuem independência suficiente para mostrar o submundo do governo. Destes jornais e revistas os políticos devem estar fugindo como diabo da cruz. É que o quarto poder anda derrubando ministros, mostrando com fatos e documentos no que se transformou o governo do PT e de seus aliados.
Logo a propaganda se apropriou das denúncias do quarto poder e atribuiu à presidente da República uma hipotética faxina, na verdade apenas desencadeada no Ministério dos Transportes, inclusive, com a queda do ministro Alfredo Nascimento. Antonio Palocci da Casa Civil, Nelson Jobim da Defesa, Wagner Rossi da Agricultura caíram de podres e para não macular a imagem da presidente, exatamente como acontecia no governo do blindado Lula da Silva.
Tornaram-se intocáveis os titulares que pertencem ao PT ou ao PMDB, como aqueles dos ministérios do Turismo, das Cidades, das Comunicações, da Casa Civil, das Relações Institucionais e quantos mais estejam na mira do quarto poder, como o dos Esportes. A presidente declarou que só mexe nessas pastas, em que pesem as denúncias sobre as mesmas, se os partidos pedirem, algo risível. Partidos não pedem para sair de cargos, mas para entrar em quantos cargos puderem.
Para contrapor à imprensa nacional logo foram espalhados na imprensa internacional elogios mil a presidente da República. Ela surge como corajosa, ética, guerreira contra a corrupção. E a revista Forbes a coloca como terceira mulher mais poderosa do mundo.
Nem uma palavra sobre o intocado submundo da corrupção reinante na república dos companheiros. Nada sobre o fato de que a terceira mulher mais poderosa do mundo reina, mas não governa, pois o comando continua sendo de Lula da Silva que indica ministros, reúne-se com os partidos políticos, faz inaugurações, visita países latino-americanos como se presidente ainda fosse, ensina à sua desajeitada criação política como agir de forma demagógica.
Na última edição da revista Veja, uma matéria sobre José Dirceu mostrou o quanto ele comanda autoridades recebendo seus pleitos, interage com aqueles aos quais denominou de “elites”, mas demoniza os “malditos e impiedosos ricos” que o sustentam como a um nababo e realizam com ele negócios extraordinários. Porém, a revista não contou a quem Dirceu obedece. Certamente a Lula da Silva, pois é de se duvidar que este conceda uma migalha sequer de seu poder a outrem.
A propalada faxina serviu, contudo, para despertar certo temor nos petistas. Recearam os companheiros que o governo de Lula da Silva fosse carimbado como corrupto. Algo extremamente óbvio, pois os ministros que caíram eram os mesmos do ex-presidente e por ele impostos a sua afilhada política. Será que os petistas temem que Lula da Silva apareça como fiador ou cúmplice das falcatruas? Que ele tenha oficializado a velha prática da corrupção que se tornou incomensurável?
Note-se que a própria Rousseff conviveu com o submundo do “reino” lulista e fez parte dele junto com sua fiel servidora, Erenice Guerra, alcunhada de Erê 6%. Converte-se, assim, a presidente na imagem viva da herança maldita de Lula da Silva, que em vez de legar afanou bilhões que poderiam ter sido aplicados em benefício do povo, e que foram parar no bolso dos larápios da república dos companheiros. Inclua-se aqui o Poder Legislativo, cujo último ato foi o de livrar Jaqueline Roriz do impeachment, aliás, prática corrente de autoproteção dos parlamentares.
Da pretensa faxina presidencial emerge também algo óbvio, que tenho repetido em outros artigos. Tudo isto acontece porque não existe oposição, exceto uma ou outra voz isolada. Foi, por exemplo, deprimente ver a foto de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e outros próceres tucanos, praticamente aos pés da “terceira mulher mais poderosa do mundo”.
Sem oposição fraqueja a democracia e emerge a ditadura disfarçada do PT. Na impunidade onde a lei é substituída pela ideologia ou pelo interesse pessoal de quem julga viceja o submundo do governo. De tudo se conclui que somos atrasados demais para sermos civilizados, pois permitimos nossa desgraça, alheios aos que nos comandam.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A PIOR ESCOLHA DE LULA
Maria Lucia Victor Barbosa

Dizem que Nelson Jobim saiu do Ministério da Defesa porque quis. Estava insatisfeito e manifestou esse sentimento com provocações ao governo petista no intuito de ser demitido. Não interessa nesse artigo analisar tal homem público. Muitos o elogiaram como se ele tivesse morrido, afinal, todo morto vira santo. Não vem, contudo, ao caso tratar aqui do civil que gostava de se fantasiar de militar. Antes interessa observar mais uma escolha de Lula, talvez, a pior de todas. Afinal, ocorre a alguém que não foi ele que, em prazeroso exercício de seu terceiro mandato ordenou a sua afilhada política que desse um posto importante ao homem que sob suas ordens e via Marco Aurélio Garcia foi exemplarmente servil?
Na verdade, perante o mundo civilizado o Brasil passou vergonha por conta dos constantes fiascos e trapalhadas do chanceler, de seus achegos aos piores ditadores mundiais, de suas erráticas escolhas ideológicas que privilegiaram o perigoso Ahmadinejad, o sanguinário déspota Fidel Castro, o bufão Hugo Chávez e demais caudilhos latino-americanos, enfim, todos os que são rotulados como sendo de esquerda.
Por outro lado, as pantomimas “diplomáticas” de Amorim de certo modo disfarçaram o modo de ser PT no poder perante esquerdistas românticos ou para aqueles que acreditam que Lula é a “luz do mundo”. Isto porque, o outrora partido ético, único verdadeiramente de esquerda, aquele que vinha para mudar o que estava errado mergulhou de cabeça no vale-tudo da imoralidade pública, no peculiar tipo de capitalismo selvagem, onde poderosos roubam bilhões e fica por isso mesmo.
Lula determinou que permanecessem no governo Rousseff ministros de setores estratégicos, ligados ao seu partido e que o serviram em seus mandatos. E outros da chamada base aliada ou comprada, como Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes. Sem dúvida, uma tática de atrelamento para dar continuidade ao seu poder, a mesma que ele impõe ao PT quando quer indicar candidatos a prefeito.
Palocci, o primeiro do atual governo a cair deve estar sem medo de ser feliz e ganhando fábulas. Nascimento e vários diretores do Ministério dos Transportes que através do que foi mostrado na imprensa lembrou um antro de ladrões, foram para o olho da rua. Agora se foi Jobim, que pelo menos não apareceu como corrupto.
Cabe indagar se Lula não sabia, não via, não escutava nada do que se passava entre os companheiros ministros, se seria omisso ou conivente com a corrupção reinante. E Dilma Rousseff, que tendo sido, inclusive, ministra da Casa Civil, o ministério mais importante que comanda todos os demais, também não sabia de nada? Se sabia, porque não avisou ao chefe?
Porque só agora Rousseff reagiu para ser aplaudida como a grande defensora da ética? Será por que no Ministério dos Transportes, o PAC, seu “filho” único foi abortado entre fraudes, tramoias e falcatruas? Seria o ataque moralista da presidente foi apenas um golpe de marketing? Terá ela coragem de fazer a mesma limpeza em outros ministérios, especialmente os do PMDB? De todo modo, foi significativo o aviso de Gilberto de Carvalho, porta-voz de Lula, de que não haverá mais caça as bruxas.
Na caçada feita percebe-se que foi trocado seis por meia dúzia, o que mostra claramente a falta de quadros do PT e de suas bases. Chegou-se na era Lula ao fundo do poço da amoralidade, da mediocridade, da vulgaridade, da ausência de valores, da impunidade, do achincalhe, da malandragem, do cinismo e da mentira praticados de modo nunca antes havido nesse país. Com raras exceções presencia-se a degradação total do meio político, onde a corrupção é o feijão com arroz do cotidiano.
Celso Amorim, ajudante de Marco Aurélio Garcia, fiel agregado das hostes lulistas, é figura emblemática da degradação onde se destaca como sabujo sempre solicito e pronto a obedecer ao chefe. Não tem vontade própria, não possui espinha dorsal e seu forte são trapalhadas cometidas no afã de agradar aos superiores. A este tipo de indivíduo foi entregue o Ministério da Defesa, o que dá a sensação de que o país está indefeso. Como curiosidade se pode conjecturar o que fará ele em primeiro lugar: a compra dos caças franceses? A criação de um Exército latino-americano para servir a Hugo Chávez? A oficialização do trânsito das Farc dentro de nossas fronteiras? Ah, muito pode fazer Amorim em nome da causa. E como afirmou Lula da Silva: “não cabe aos militares gostarem ou não gostarem”. Ao povo não precisa dizer que deve votar nele em 2014. O povo fará isso com entusiasmo.
Há tempos atrás tais coisas seriam tidas como impossíveis. Tudo mudou. Para pior. Muito pior. Eis a verdadeira herança maldita, onde Celso Amorim é um dos destaques.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com

segunda-feira, 4 de julho de 2011

“PRINCÍPIO GULAG”
Maria Lucia Victor Barbosa
02/07/2011
O Brasil está vivendo uma verdadeira septicemia corruptiva, uma infecção moral generalizada, cujo maior fomentador tem sido o ex-presidente Lula da Silva.
Ao patrocinar a corrupção política dizendo sempre que nada sabe, nada viu; ao institucionalizar a prática de comprar parlamentares que foi apelidada de “mensalão”; ao abençoar companheiros aloprados; ao pregar que “se todo mundo faz nós podemos fazer também”; ao proteger o assassino Cesare Battisti rompendo tratado internacional ou acolher bandidos das Farc, ele sinalizou que tudo pode ser praticado impunemente. Acrescente-se que no momento a impunidade foi reforçada pela última invenção jurídica, segundo a qual ninguém vai preso e quem está preso vai ser solto.
Lula da Silva, é claro, não inventou a corrupção brasileira, mas a elevou a um grau assustadoramente alto. Hoje, só não rouba quem é honesto por princípio, por berço, por caráter. Porque as oportunidades estão escancaradas para quem quiser e, detalhe, sem riscos.
O ex-presidente, que aparece ostensivamente quando sua afilhada política fraqueja e vacila, o que tem sido uma constante, indicou os principais ministros do atual mandato, companheiros que já o haviam servido. Entre eles, o reincidente Antonio Palocci, querido do mercado, mas famoso, entre outros casos, pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o que no governo Lula ensejou sua queda. Como pessoas dificilmente mudam, Palocci despencou novamente envolvido numa cadeia de ilegalidades que foram fartamente noticiadas e documentadas pela imprensa. Como aconteceu com Lula da Silva, para que Rousseff não fosse atingida, Palocci bateu em retirada. Isto se deu de forma triunfal, em auditório estrategicamente lotado com sabujos palacianos que aplaudiram Palocci delirantemente.
Escândalos, que durante os dois mandatos de Lula da Silva explodiram em escala nunca vista continuam atingindo altas autoridades, que seguem impávidas no país onde tudo é permitido. Se a pessoa é “amiga do rei” pode ficar sossegada.
Esse, por exemplo, é o caso do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que se veio à televisão execrar os bombeiros aos quais paga salário de R$ 950,00, chamando-os de vândalos e delinquentes, não apareceu para explicar suas nebulosas ligações com a iniciativa particular. As “zelite”, como diz Lula da Silva, o que significa na língua “petê” os “malditos capitalistas” que sustentam campanhas milionárias, inclusive, as presidenciais, tendo depois sua “justa” paga em bilhões através de favorecimentos públicos.
Junte-se ao espetáculo da avassaladora corrupção, o do cinismo extremo. Recentemente isso pode ser ilustrado pela performance do ministro Aloísio Mercadante que, acuado pelo fogo amigo negou ter chefiado o “Dossiê dos Aloprados”, sórdida montagem de dados falsos que visava derrubar a candidatura do tucano José Serra ao governo de São Paulo. Aliás, desse tipo de dossiê o PT entende.
No país onde existe licença para roubar e para matar; que direitos humanos são apenas para bandidos; que é claro o objetivo de manter as novas gerações na ignorância ensinando que o certo é o errado, que 10 – 7 = 4; que a sociedade se encontra moralmente corrompida não sabendo mais distinguir entre o certo e o errado; outro enorme malefício, pouco notado, é inoculado pelos “intelectuais orgânicos” petistas. Vou chamá-lo de “princípio gulag”.
Este termo pertence a Vladmir Bukovsky, autor do “Tratado de Lisboa”, dirigido aos portugueses e aos demais europeus. Afirma o autor: “Na URSS tínhamos o gulag”. “Creio que ele existe também na UE, mas um gulag intelectual, designado por politicamente correto”.
De forma impressionante essa característica se adequa com perfeição também ao Brasil, pois conclui Bukovsky:
“Experimentem dizer o que pensam sobre questões como raça e sexualidade”. “Se suas opiniões não forem ‘boas’, ou seja, não forem politicamente corretas, vocês serão marginalizados”. “E isto é o começo do que podemos chamar de princípio gulag, ou seja, o começo da perda da liberdade”.
Lula da Silva diz que não é de esquerda e o PT, para conquistar o poder máximo da República, acalmou o sensível mercado. Curiosamente, porém, o PT age com métodos totalitários, pois a propaganda anestesiou a sociedade que se quedou extasiada diante da retórica inflamada de um pequeno Hitler terceiro-mundista. Ao mesmo tempo, palavras pervertidas apareceram com uma visão deslocada que deforma a perspectiva de conjunto. O PT criou uma “novilíngua” adaptada ao politicamente correto. Assim, somos confrontados a um astigmatismo social e político. Enxergar de outro modo seria preconceito o que acarreta autocensura. A continuar assim o PT não sai do poder nem daqui a vinte anos.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com

quinta-feira, 2 de junho de 2011

QUEM GOVERNA?
Maria Lucia Victor Barbosa
31/05/2011

A aparição do ex-presidente Luiz Inácio com objetivo de socorrer sua afilhada política, Dilma Rousseff, por conta do escândalo provocado pelo veloz enriquecimento do ex-trotskista, ex-prefeito de Ribeirão Preto, ex-ministro da fazenda, ex-deputado federal, atual chefe da Casa Civil e braço direito da presidente, Antonio Palocci, merece algumas reflexões.
Em fotos estampadas em jornais Luiz Inácio apareceu eufórico entre senadores do PT quase genuflexos diante do chefe. De calça branca, ao ex-presidente só faltavam os sapatos bicolores e o chapéu de panamá para completar o traje porque, como todos sabem, a política é feita de malandragem, assumindo frequentemente aspectos de capoeira.
Luiz Inácio, confortável em seu terceiro mandato, reuniu-se com partidos satélites do PT, almoçou com sua afilhada e o reincidente Palocci, deu muitos conselhos a Rousseff que prontamente obedeceu aos ditames do tutor. Ela deixou por breves momentos seu silêncio sepulcral, seu recolhimento misterioso e veio a público defender o risonho Palocci, mudo como a ex-primeira-dama Marisa Letícia que parece ter feito escola.
Não se sabe, porém, se a aparição de Rousseff apaziguou os ânimos das bases aliadas, que andam um tanto desalinhadas, se despistou as incríveis fábulas ganhas por um de seus “três porquinhos” de campanha.
A presidenta, como Rousseff gosta de ser chamada sendo, portanto, uma governanta e não uma governante, não pronunciou a famosa frase petista quando a situação aperta: “assunto encerrado”. Não conseguiu encerrar a encrenca Palocci e, pior, lançou dúvidas sobre o cargo presidencial sendo lícito perguntar: quem governa?
Como se sabe foi Luiz Inácio quem praticamente compôs o atual ministério indicando, pelo menos, os ministros mais importantes. E se chegou a dizer, segundo a imprensa, que sem Palocci o governo de Rousseff se arrastaria até o fim isto significa que não confia tanto assim na eficiência de sua sucessora como apregoava na campanha. Por que, então, a colocou lá?
Bem, em primeiro lugar, porque os possíveis quadros do seu partido não tinham condição de disputar nenhum cargo eletivo, ainda mais a presidência da República. Entre eles, José Dirceu, outro ministro da Casa Civil que teve sérios problemas com algo chamado eufemisticamente de “mensalão”, que na linguagem usual é denominado de suborno e punido como crime nos países onde as leis funcionam. Dirceu voltou à Câmara de deputados, foi cassado e chamado por uma autoridade do Judiciário de “chefe da quadrilha” do “mensalão”, o que não o impediu de ser feliz em suas consultorias e de ter exercido no PT influência decisiva. Dirceu está certo de que será perdoado de todas suas culpas na Justiça, como Palocci o foi e todos os “mensaleiros” serão. Então, quem sabe, alcançará seus sonhos mais elevados.
Entre os muitos “quadrilheiros” do “mensalão” estava também Delúbio Soares, tesoureiro do PT, que por ter seguido a lei omertá e assumido todas as culpas dos companheiros durante muito tempo teve em sua recente volta ao partido calorosa recepção. Impressionante contraste com o PT de outrora que se dizia o único partido ético, aquele que viria para mudar o que estava errado, inclusive, a corrupção.
Nos mandatos de Luiz Inácio a avalanche de escândalos nunca antes havida neste país foi bem assimilada pela sociedade, enquanto o presidente da república dizia nada saber a respeito dos fatos mesmo quando as falcatruas eram praticadas por seus subordinados mais próximos e íntimos.
Agora, no governo PT/Rousseff, o escândalo inicial atingiu novamente a Casa Civil que teve como inquilina anterior a ministra chamada jocosamente de Erê 6%, conhecida por suas práticas nada edificantes no exercício da função e que foi o braço direito da atual governanta. Também Erê parece seguir seu caminho sem medo de ser feliz.
Em segundo lugar, Luiz Inácio, sem opção para indicar seu sucessor entre companheiros de partido, parece ter pinçado Dilma Rousseff não por suas qualidades de excelência gerencial, mas, exatamente pela falta destas. Desse modo, se a herança maldita lulista na economia e na política seguir pesada demais em quem o povo porá a culpa? Em Rousseff e não naquele que virá novamente para salvar pobres e oprimidos em 2014. Afinal, o PT não pretende sair do poder pelo menos nos próximos 20 anos e já traçou seus caminhos facilitados pela ausência de oposições coerentes e firmes, pela falta de Poder Judiciário que puna crimes e abusos e da eficácia da propaganda que mantém a bestificação popular.
Palocci pode até ser beatificado junto com irmã Dulce, contudo, as ciladas do poder não garantem que roteiros traçados de antemão se realizem. Os aliados de hoje podem ser os adversários de amanhã no jogo pesado das ambições. Diante dos acontecimentos é cedo ainda para saber quem governa ou governará, se Luiz Inácio, Dilma Rousseff ou Michel Temer.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com

sábado, 7 de maio de 2011

MENSAGEIRO DO ÓDIO
Maria Lucia Victor Barbosa
06/05/2011
O brutal atentado ocorrido em 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos mostrou ao mundo de modo ampliado uma das faces mais temidas da violência: o terrorismo. Ao susto e à dor provocados pelo covarde ataque às Torres do World Trade Center e ao prédio do Pentágono, no qual centenas de norte-americanos e estrangeiros, entre os quais quatro brasileiros, morreram de modo pavoroso, seguiram-se intensamente, pelo menos no período imediato ao hediondo ataque, o medo e a insegurança. Justamente sobre esses dois sentimentos o terror lança tentáculos para produzir a dominação sobre suas vítimas.
Viver com medo é tornar-se escravo e foi esta escravidão psicológica que o monstruoso Osama Bin Laden, misto de fanático e psicopata, prometeu aos Estados Unidos por ele chamado de “Grande Satã”. O profeta do caos alardeou que faria chover aviões sobre aquele país e volta e meia, para escarnecer dos norte-americanos que durante quase dez anos o procuraram em vão, tornou-se o mensageiro do ódio através de mensagens gravadas em áudio e divulgadas, principalmente, pela rede de TV Al-Jazeera.
Em algum lugar que não se sabia onde a figura sinistra do criador do Al-Qaeda (a base) em 1988, sobreviveu por muito tempo depois do atentado de 11 de setembro de 2001, lembrando que o terror significa a tensa espera de um inimigo que ataca sem se fazer anunciar e em lugares inesperados.
O milionário saudita, que na expressão de Giles Lapouge era “a quintessência do islamismo mais enlouquecido”, foi responsável por inúmeros atentados e pela morte de centenas de pessoas inocentes Entre seus seguidores estavam Jihadistas islâmicos, mujahedins (jihadistas de origem iraniana), terroristas radicais antissemitas, o que significa que sua guerra santa era também contra os judeus, algo que faz lembrar a figura também abjeta do iraniano Ahmadinejad cuja meta é destruir Israel.
A recente morte de Bin Laden, em 1 de maio, numa operação espetacular do governo norte-americano livrou, portanto, o mundo de um desses monstros que de quando em quando assombram a humanidade. Mas, se nos Estados Unidos houve alívio e euforia, entre os fundamentalistas islâmicos houve choro e ranger de dentes.
Manifestações de veneração, admiração e carinho pelo genocida Bin Laden não faltaram também entre antiamericanos, antissemitas e esquerdistas de todo mundo. Logo apareceram defensores dos direitos humanos que não foram vistos quando despencaram as Torres Gêmeas em Nova York. E há os que se apiedaram do pobre terrorista, como se numa guerra os que tombam não soubessem que nela estão para matar ou morrer. Na mesma linha de defesa do criminoso e crítica aos Estados Unidos é dito que esse país invadiu o Paquistão. Ora, o Paquistão é aliado do governo norte-americano para combate ao terrorismo e para isto recebe milhões de dólares. Portanto, se alguém falhou foi o governo paquistanês, pois Bin Laden morou por longo tempo na cidade paquistanesa de Abbottabad, quase dentro de um quartel general.
Na América Latina, onde os Estados Unidos são também odiados, houve curiosas manifestações. Na Argentina dois homens de nome Musa Isa e Santiago Torres expressaram através de jornal seus profundos pêsames à família do terrorista. No Brasil, um vereador gaiato da cidade de Anápolis (Goiás) pediu na Câmara um minuto de silêncio em homenagem ao companheiro Bin Laden. Só falta pedir a canonização de Bin Laden juntamente com Hitler.
Discute-se muito no momento se com a morte do líder globalizado e símbolo máximo do Al Qaeda haverá ou não revanches ensandecidas de seus seguidores contra os Estados Unidos e outros países. Provavelmente haverá, pois existem franquias da rede terrorista no Norte da África e no Oriente Médio. E outros grupos como o Lashkar-i-Taiba ou o Taleban continuarão a matar os que considerem como infiéis. Ao mesmo tempo, se é certo que Bin Laden não exercia mais o comando operacional do Al-Qaeda, sendo da organização figura mitológica e inspiradora, outros na hierarquia podem dar sequência aos atos de terror. De qualquer modo, a morte do líder deve ter causado grande dano psicológico aos seus seguidores, em que pese sua lembrança maligna continuar a influenciar os que são recrutados em nome da ideologia que veta ódio ao ocidente e da fé fundamentalista islâmica.
O Brasil, país da impunidade e da moralidade frouxa, tem predileção por bandidos, pois aqui se abrigam desde o terrorista italiano Cesare Battisti até membros das Farc. Para piorar e conforme reportagem da Veja de 6 de abril deste ano, “a Polícia Federal tem provas de que Al Qaeda e outras quatro organizações extremistas usam o país para divulgar propaganda, planejar atendados, financiar operações e aliciar militantes”. Desconheço se o governo brasileiro desmentiu a reportagem ou tomou providências.
Na tragédia da escola de Realengo, no Rio de janeiro, quando um ex-aluno matou doze adolescentes, a causa do ato tresloucado foi atribuída a mente perturbada do rapaz e no péssimo exemplo que vem dos Estados Unidos. Curiosamente, Wellington de Oliveira sonhava jogar um avião contra o Cristo Redentor para relembrar os aviões que foram atirados nas Torres Gêmeas em Nova York. Em uma das fichas da escola quando era estudante, ele escreveu que sua religião era mulçumana. Em anotações encontradas na sua bolsa havia o relato de que passava umas quatro horas por dia lendo o Alcorão e que meditava sobre o atentado de 2001. Finalmente, pede em carta um ritual de sepultamento que lembra ritos mulçumanos. Nada disso foi levado em conta para explicar sua atitude.
O presidente Barack Obama agiu certíssimo, mas seria bom que desse uma prova contundente de que o mundo está mais arejado sem o mensageiro ódio. Caso contrário, Bim Laden ficará tão vivo quanto Elvis que não morreu.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com